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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Além

No relógio, as horas passam,
mas é como se o tempo não existisse.
O ar carregado de um dia que se foi
assopra notas que caem como penas,
tão adormecida quanto quem as inspira,
sincronizando as respirações num dueto
num ritmo marcado de melancolia.
Os braços se abraçam em harmonia
os olhos fechados em profunda calmaria.
No relógio, as horas passam,
A televisão ligada fala sozinha,
alguém acende e apaga a luz da cozinha
porém, ali ainda: profunda calmaria.
Ao ruído de um ponteiro que bate,
os olhos de abrem e saem na noite fria.
Um pensamento vem logo na mente:
Para uns, horas mortas, que em vida, nem existiu
Para mim, um momento perfeito, que no sonho,
se congelou eternamente.

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