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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ano novo, denovo?

Os dias se foram como minutos que não contamos
quem arrancou as folhas do calendário?
A chuva cai, o sol aparece e as noites são as mesmas,
os mesmos moveis e as folhas rabiscadas espalhadas
algumas em branco, ideias atormentadas
que foram apagadas, apenas do papel.
Os mesmos pensamentos e perguntas
feitas para um teto que nunca terá a resposta.
pessoas que partem sem poder dizer adeus,
algumas que dizem adeus mas sem querer partir
palavras ensaiadas que nunca foram ditas
apenas relembradas ao ver alguém indo embora.
O ponto final é a despedida que não existiu,
uma história cortada no meio, uma frase que não teve fim.
O ano novo não terá nada de tão novo.
Serão apenas dias que não couberam nesse calendário
outras horas que se passarão sem percebermos
e novas dores de perdas que virão em degradê.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Para um novo anjo

Tão linda quanto uma boneca ainda na caixa,
botão de rosa vermelha que ainda não desabrochou.
As lágrimas regam o chão, mas nunca serão suficientes
para brotar novamente a nossa linda rosa que murchou.
Porém, o céu ficou mais bonito com a sua chegada
os anjos levaram de nós o sorriso contagiante
de uma amiga, que eternamente será lembrada,
nas folhas das árvores que balançarão ao passar,
no sopro do vento que seu abraço irá trazer,
na dor da saudade que fará o peito apertar.
Agora nas caixas as memórias irão se guardar
eu sinto e eu sei, que você está ao nosso lado
e iremos te pedir por nós zelar,
pois, na verdade, não está tudo acabado!
Há um mundo muito melhor que descobrimos ao dormir
e nos sonhos você irá nos visitar,
para novamente seu sorriso encantar
e assim poder acalmar nosso coração
porque mesmo que sua presença física não mais existir,
você estará presente por toda a imensidão!


(Dedicado à Ana Emanuela)

sábado, 20 de novembro de 2010

Travesseiros

Existe um lugar onde é possível todos seus sonhos guardar.
Tão quieto, mas que guarda segredos assustadores,
memórias alegres, e também guarda dores.
Ah se esse lugar pudesse se abrir!
Pensadores, poetas e até novas teorias poderiam se descobrir!
Um lugar capaz de ser de ser úmido de tantas lágrimas cair,
como também pode ser caloroso como um sorriso ao dormir.
Ah se alguém pudesse ler os travesseiros!
ideias, planos, mágoas, histórias, medos...
Os psicólogos teriam suas perguntas respondidas?
Ou surgiriam dúvidas mais confusas ainda?
Como ninguém o pode fazer, eles continuam la, os travesseiros.
Confortando mais uma noite fria, servindo de apoio, ombro amigo
O único a escutar sua fantasia, guardando sonhos que, talvez,
nunca passarão dali, de uma mente que nunca estará vazia.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

...

Os sonhos guardados, ninguém quer saber.
Monstros que assustam, possuem e atormentam
ninguém quer saber.
Os olhos que passam apressados,
o coração apertado, finge não querer saber.
A companhia solitária, só ouvindo
o que ninguém quer saber.
O sorriso fechado, alguém o espera receber?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Noite

Apago as luzes da casa
Me sinto tão pequena no mundo
tão longe de tudo
como se os sonhos me consumissem
e, por um instante, eu vi a realidade
através da janela
pintando uma velha escada
descansada em um pequeno muro
ambiente um tanto quanto escuro
que fazia meu coração se invadir de medo.
O dia acabou, a madrugada chegou
tão fria quanto minhas mãos
que procuram os cobertores
que servirão de proteção
esta noite.
O relógio escondido na gaveta
ainda faz barulho
parecendo ser tão alto
nesse silêncio aterrorizador.
Ao meu redor está tudo dormente
e meu pensamento doente
faz o sono chegar
para mais uma noite acabar
e fazer, por um instante, o medo se dissipar
no adormecer profundo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Correria

Chego em casa para almoçar, e encontro minha mãe já na mesa. Mal sento e ela já começa a dizer que o arroz foi feito a pouco, que ela chegou, tirou a roupa do varal, dobrou, fez a mistura, esquentou o feijão, fez o suco, limpou o fogão, deu um jeito na casa. Mede o tempo, dizendo o que devo lavar e o que devo colocar na geladeira. Vai dizendo para eu tirar as coisas da mesa, mas vai o fazendo em seguida. Coloca ração para a cadela, liga para a empregada, vê o saldo, põe mais roupas para lavar, coloca as toalhas para fora, seca a louça no escorredor e guarda. Se apressa para escovar os dentes e pentear o cabelo para voltar ao trabalho. Conta três histórias diferentes das crianças da escolinha que se morderam novamente e olha no relógio. Nossa! Faltam cinco minutos! Não da pra fazer nada em uma hora mesmo!

Além

No relógio, as horas passam,
mas é como se o tempo não existisse.
O ar carregado de um dia que se foi
assopra notas que caem como penas,
tão adormecida quanto quem as inspira,
sincronizando as respirações num dueto
num ritmo marcado de melancolia.
Os braços se abraçam em harmonia
os olhos fechados em profunda calmaria.
No relógio, as horas passam,
A televisão ligada fala sozinha,
alguém acende e apaga a luz da cozinha
porém, ali ainda: profunda calmaria.
Ao ruído de um ponteiro que bate,
os olhos de abrem e saem na noite fria.
Um pensamento vem logo na mente:
Para uns, horas mortas, que em vida, nem existiu
Para mim, um momento perfeito, que no sonho,
se congelou eternamente.

Manhã

Ando sozinha nessas ruas ainda molhadas da chuva da noite anterior.
O dia amanhece debaixo do céu cinzento,
que está prestes a desabar em mim.
O vento corta meu rosto estremecendo por dentro.
Quantos versos podem sair desta flor?
Por quantas pessoas passei sem que soubessem da minha dor?
O céu sabe, e chora sobre mim,
as lágrimas que mais tarde subirão como vapor
que ofuscam a visão cobrindo a paisagem feia.